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Rússia 2017: Putin só perde em popularidade para Stalin e a Palavra Revolução é evitada pelas autor



Clipe: "Meu melhor amigo é o presidente Putin"

#МойЛучшийДругЭтоПрезидентПутин BLACK STAR: http://black-star.ru/ Producer: Korneliya Polyak Director: Pavel Hoodyakov Post production: Hoody FX Diamond Style Productions

É cada vez mais comum encontrar para comprar na Rússia camisetas com palavras de ordem ou mensagens patrióticas com a imagem poderosa do presidente Vladimir Putin como pano de fundo — com ou sem óculos escuros, de terno e gravata, sem camisa ou empunhando um arco e flecha. “A Crimeia é nossa”, diz um dos mais de dez modelos à venda em uma das lojas do aeroporto de Sheremetyevo, em Moscou. A reincorporação do balneário russo por excelência — dado de presente por Nikita Krushchev aos ucranianos ainda na época da União Soviética — pode ter gerado revolta no Ocidente, mas fortaleceu Putin e fez renascer um sentimento de que a Grande Rússia estava de volta à cena. A popularidade do líder russo, que acaba de ser escolhido a segunda personalidade mais importante da História do país (perde apenas para o Josef Stalin) continua em alta, beirando os 85%. E o culto à sua imagem, seja com camisetas, canecas, matrioskas (as tradicionais bonecas russas de madeira) ou caixas de bombom, é a prova disso.

Milhares de pessoas foram às ruas no início de junho e em março deste ano contra o governo e contra a corrupção — mas nada que se compare aos protestos de 2011 e 2012, ou que ofereça riscos ao projeto do presidente de permanecer no comando do maior país do mundo até 2022. Pelo menos por enquanto. Nem por isso as manifestações deixaram de assustar o governo, que prefere não dar qualquer margem de manobra para movimentos de oposição, seja qual for. O atual líder da oposição Alexei Navalny, que coordenou as últimas manifestações, foi preso mês passado e acaba de saber pela Corte russa que não poderá se apresentar para a eleição presidencial marcada para o ano que vem — irônica e, segundo especialistas, deliberadamente marcada para o dia 18 de março, a data da retomada da Crimeia três anos atrás. Navalny, que chegou a obter 27% dos votos para a prefeitura de Moscou há quatro anos, no entanto, não tem mais do que 2% hoje. Isso comprova que, apesar do barulho feito por ele nos últimos anos, não há espaço para oposição no país. Os grupos que têm procurado as ruas ainda não seriam organizados, nem politizados. São sobretudo jovens, que pedem mais oportunidades e o fim da corrupção, sobretudo depois de dois anos consecutivos de recessão econômica, que, aparentemente, começa a ser revertida. Quem tem feito mais barulho recentemente, contudo, são os futuros desalojados das centenas de prédios que estão para ser demolidos em Moscou — uma medida para dar espaço a novos empreendimentos em um grande projeto de renovação da cidade. O movimento na capital mostrou que os russos estão começando a se preparar para brigar por seus interesses, ainda que em nível local.— Podemos dizer que os ativistas estão lutando pela soberania dos seus quintais. Se organizam em nível local onde ainda podem exercer alguma influência. Mas a batalha pela soberania do quintal pode se estender para a luta por um distrito da cidade, uma cidade inteira, ou, quem sabe, até mesmo o país.

Na falta de uma competição política verdadeira, a eleição de 2018 será mais ou menos uma espécie de plebiscito sobre a confiança em Putin.


Produtos com mensagens patrióticas e imagens do presidente são comuns nos aeroportos e em diversos estabelecimentos comerciais - Mladen ANTONOV/AFP/27-6-2017

Embora haja pessoas insatisfeitas com o governo, elas apoiam o sistema político e a figura de Putin.

— Não significa que não possa mudar, mas não a médio prazo. O declínio dos padrões de vida está estacionado. A recessão acabou. E, depois da retomada da Crimeia, a situação mudou. Foi bom para todo o sistema. De todo modo, ainda há um grande controle da mídia e do espaço político.

Mais da metade da população ainda se informa pela TV. Os movimentos de 2011 e 2012 provocaram muita tensão no governo. Naquela época, apenas 20% das pessoas queriam que Putin permanecesse no poder e 50% queriam outro em seu lugar.

O controle com mãos de aço do presidente conta com a ajuda da Duma, a Câmara baixa do Parlamento, onde tem 75% dos assentos desde setembro. Com isso, o governo já não tinha problemas em aprovar leis polêmicas, como a que permite proibir as atividades de ONGs estrangeiras consideradas “indesejáveis” pelo Estado. A lei, de 2015, abre caminho para que se proíba a atuação de ONGs estrangeiras, processe e até prenda funcionários. Pode ainda bloquear suas contas bancárias. Desde então, várias teriam reduzido a militância por medo de retaliações. Para o Kremlin, é preciso conter “organizações destrutivas” que podem dar origem a “revoluções coloridas” (referência a movimentos golpistas pró-ocidentais que afetaram ex-repúblicas soviéticas).

AUTORIDADES EVITAM PALAVRA 'REVOLUÇÃO'

Putin, a princípio, decidiu interferir na questão das demolições e pediu que tudo fosse feito de maneira que respeitasse os diretos dos cidadãos. Mas ontem acabou assinando a lei aprovada no Parlamento que autoriza a demolição. Protestos de qualquer natureza dão calafrios no governo. Não é à toa que nos últimos, centenas de pessoas foram detidas.

Para se ter uma ideia, no ano em que a Revolução de 1917 comemora o seu centenário, as autoridades russas não sabem bem como tratar eventuais festejos do evento, que mudou os rumos do país e da História do século XXI. Fontes oficiais têm evitado usar a palavra “revolução” em público. Para não colocar lenha em eventuais polêmicas, elas têm recorrido a “golpe” (perevorot, em russo).

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