• Equipe Sputnik Consulting

Kursk 18 anos


Duas explosões fizeram com que o "inafundável" submarino russo Kursk afundasse a 12 de agosto de 2000. 118 pessoas morreram. Foi a maior tragédia subaquática da história.


O K-141 Kursk, foi um submarino nuclear da Classe Oscar-II, pertencente à Marinha Russa que afundou no Mar de Barents em 12 de Agosto de 2000, com uma tripulação de 118 homens.

Comprimento: 154 m

Início da construção: 1990

Lançamento: 1994

Boca: 18 m

Construtor: Sevmash

Tripulação: 48 oficiais e 68 marinheiros

“Está escuro aqui para escrever, mas vou tentar pelo tato. Parece que não há possibilidades, 10-20%. Vamos torcer para que pelo menos alguém leia isto. Cumprimentos a todos. Não há necessidade de ficarem desesperados.”

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Capitão-Tenente Dmitri Kolesnikov


Este bilhete foi encontrado no bolso de Dmitri Kolesnikov, o capitão-tenente de 27 anos que fazia parte da equipa de 118 pessoas a bordo do submarino russo Kursk. O bilhete foi escrito às 13h15 do dia 12 de agosto de 2000. Nele, o capitão-tenente informava que as pessoas das seções seis, sete e oito tinham-se movido para a seção nove do submarino. “Há 23 pessoas aqui. Tomamos essa decisão porque nenhum de nós pode escapar. Estou escrevendo isto às escuras”, escreveu ainda. A carta de Dmitri Kolesnikov, apesar de dirigida à família, é a única prova existente de que houve 23 sobreviventes às duas explosões que destruíram grande parte do submergível.

O corpo de Dmitri Kolesnikov foi um dos primeiros a ser encontrado. O submarino Kursk afundou no dia 12 de agosto de 2000 com as 118 pessoas a bordo, na sequência das explosões. O submergível com 154 metros de comprimento ficou a uma profundidade de 116 metros, no mar de Barents, a este da Peninsula Rybachi, a 80 quilómetros da costa.


O submarino era movido a energia nuclear. Este Oscar II — embarcações com capacidade para lançar mísseis, criados para combater os grupos de ataque de porta-aviões da NATO — tinha deixado a base de Vidiayevo dois dias antes. Era a primeira grande missão a larga-escala da Marinha Russa em dez anos — dela faziam parte 30 navios e três submarinos — e a primeira desde a queda da União Soviética.

Às 7h30 do dia 12 de agosto de 2000, duas explosões foram registadas no mar de Barents, a norte da Noruega e da Rússia, pelo instituto de sismologia norueguês. A primeira explosão — que criou um abalo de 1.5 na escala de Richter — foi tão grande que destruiu de imediato quatro dos nove compartimentos do submarino e matou 95 dos tripulantes. A segunda explosão — de 4.2 na escala de Richter — causou ainda mais destruição e moveu o submarino para 400 metros do local onde estava inicialmente. Os 23 sobreviventes morreram num período de 6 e 32 horas após o acidente, por falta de ar.


Os abalos provocados pelas explosões no dia 12 de agosto de 2000

O submarino Kursk tinha capacidade para transportar 24 mísseis nucleares ou convencionais pelo que a probabilidade de a explosão estar relacionada com uma arma nuclear era elevada. Ainda assim, o alarme não foi lançado de imediato. Durante 12 horas, esperou-se por um sinal do Kursk mas ao fim desse período, nada. O Kursk foi considerado então como estando em perigo e a operação de resgate começou.

Cinco horas depois, às 00h30 do dia 13 de agosto, o submarino foi encontrado no fundo do mar. Navios de resgate chegaram à área onde estava localizado. Às 3h00, o acidente foi reportado ao presidente russo, Vladimir Putin.

Depois de semanas de busca, foram resgatados os corpos de 115 ocupantes do submarino, exceto dos marinheiros Dimitri Kotkov e Ivan Nefedkov, e do técnico Mamed Gadzhiev. O submarino foi totalmente içado apenas em outubro de 2001, mais de um ano após a tragédia.

Causa

A hipótese mais coerente é a de que no lançamento do torpedo a proa do submarino tenha explodido, atingindo ainda outros compartimentos da belonave. Segundo o jornal militar russo Krasnaia Zvezda, o Kursk estaria usando um novo tipo de combustível que é líquido, mais barato e de muito mais alta combustão. Há ainda uma hipótese, mais sinistra, de que o submarino estaria com mísseis nucleares supersônicos. Uma carta que explicava as causas do naufrágio do submarino Kursk foi encontrada no corpo de um tripulante e mantida em segredo pelas autoridades russas, disseram militares da Frota do Norte hoje citados pelo diário Izvestia.

De acordo com estas fontes, foram encontradas duas cartas a 25 de Outubro no cadáver do oficial da marinha Dmitri Kolesnikov, tendo apenas uma sido divulgada.

Na carta mantida em segredo, Kolesnikov descreve exatamente o que aconteceu e afirma que, na sequência da morte do comandante do Kursk, assumiu o comando do submarino, precisaram as fontes, sem adiantar mais pormenores sobre o documento.

Acidentes com submarinos russos

Além da tragédia do Kursk, outros dois acidentes com submarinos russos ocorreram nos anos 2000. No dia 30 de agosto de 2003, o submarino atômico K-159 afundou durante uma tempestade, também no Mar de Barents, a uma profundidade de 170 metros e com dez pessoas a bordo, das quais uma foi resgatada com vida.

Em novembro de 2008, uma falha no sistema de incêndio provocou a morte de 20 pessoas num submarino nuclear russo, no Oceano Pacífico. A falha fez com que fossem expelidas substâncias químicas que também deixaram 21 pessoas feridas. No momento do acidente, havia 208 pessoas a bordo, dos quais 81 eram militares.

As tragédias russas e o caos introduzido após o desaparecimento da URSS.

Após a fim da URSS, por 20 anos, o Estado russo foi, em todas as suas esferas, completamente sucateado, as tragédias ocorridas neste período foram consequência direta do desmonte da antiga superpotência.

Relembre a a crise financeira russa de 1998:

A Rússia passou por uma profunda crise econômica nos anos 1990, com altas taxas de endividamento, desemprego e inflação e baixos índices de crescimento econômico (PIB). Em grande medida este processo foi resultado de uma transição acelerada e mal sucedida de uma economia planificada para uma economia de mercado, em meio ao colapso político da União Soviética.

A partir de 1992, a Rússia procura implementar uma política de "choque" econômico em direção ao capitalismo de mercado, que foi desastrosa, pois nem conseguiu reestruturar os setores produtivos tradicionais nem implementar outros novos. A falência de milhares de empresas levou ao aparecimento de milhões de desempregados, acompanhado de altas taxas de violência urbana. O período pós-1992 foi de grande turbulência econômica, quando o país mergulhou em profunda crise econômica, apresentando taxas negativas de crescimento do PIB, altas taxas de inflação e elevado desemprego. O consumo total de energia na ex-URSS caiu em quase 50% quando comparada ao período soviético (até 1991). O desemprego atingia 15% da população economicamente ativa, e 35% dos russos passaram a viver abaixo da linha da pobreza.

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