• Equipe Sputnik Consulting

Chernobyl, fatos e ficção na aclamada série da HBO. Conheça os personagens reais.


Em Chernobyl, o inimigo está por toda a parte. Pior ainda, ele não pode ser visto ou sentido. O espectador sabe o que está acontecendo, o que faz cenas de pessoas interagindo normalmente se tornarem imagens de agonia e terror.




Coprodução da HBO com o canal britânico Sky , "Chernobyl" já é uma das produções mais bem avaliadas deste ano. Em cinco episódios, a minissérie dramatiza o desastre nuclear ocorrido em 1986 na União Soviética.


É arrepiante pensar que a grande maioria dos personagens que ilustra a série (boa parte deles baseados em pessoas reais), morreriam devido aos reflexos do acidente. Alguns deles, teriam mortes terríveis, o que é mostrado perfeitamente no terceiro episódio.


Quem são os principais personagens reais da série?


Valery Legasov

O químico Valery Legasov , personagem de Jared Harris , tirou a própria vida em 1988, no aniversário de dois anos do desastre de Chernobyl. No dia seguinte, Legasov anunciaria as conclusões de sua investigação sobre o acidente.

Uma pistola pessoal estava na mesa, mas o acadêmico preferiu se enforcar, o laço foi amarrado profissionalmente e com a ajuda de um cabo específico usado pelos alpinistas. O acadêmico Legasov deveria anunciar no dia seguinte os resultados da investigação sobre as causas do desastre. Antes de sua morte, ele gravou informações sobre fatos pouco conhecidos relacionados ao desastre (de acordo com algumas informações, a parte principal da mensagem teria deliberadamente apagada porém, esta informação carece de provas). As adversidades do desastre de Chernobyl na psicologia de Legasov pode ter contribuído para sua morte.


Boris Scherbina

Boris Scherbina era um político que servia como vice-preisdente no Conselho de Ministros da União Soviética na época do desastre. Ordenou e coordenou a evacuação de Pripiat e também da zona de exclusão de 30 km ao redor da usina. Morreu em Moscou, em 1990.


Anatoli Diatlov

O engenheiro supervisor do teste que teve como consequência o desatre de Chernobyl é interpretado na série por Paul Ritter . Na vida real, Anatoli Diatlov foi julgado e condenado a dez anos de prisão por "manipulação criminosa de instalações potencialmente explosivas". Ficou preso cinco anos. Quando saiu da cadeia, escreveu um livro relatando que uma falha de projeto, e não humana, teria sido a causa primária do acidente. Morreu de complicações cardíacas, em 1995.


Nikolai Fomin

Engenheiro chefe da usina, Nikolai Fomin , vivido na série por Adrian Rawlins , foi o responsável por ordenar que Anatoly Sitnikov fosse até o telhado da usina verificar o estado do reator, mesmo sabendo que isso poderia condenar o funcionário à morte (e, de fato, a ordem fez com que Sitnikov recebecesse uma dose de exposição fatal à radiação). Como consequência de suas decisões, Fomin foi expulso do partido comunista e condenado a dez anos de prisão. Porém, um colapso nervoso fez com que ele fosse solto.


Viktor Bryukhanov

Interpretado por Con O'Neill , o diretor da usina, Viktor Bryukhanov , assim como Fomin, também resistiu em aceitar que o reator havia sido destruído, mesmo após Sitnikov ir ao telhado do prédio para constatar o fato. Foi expulso do partido comunista e condenado a dez anos por violar as regras de segurança e cinco por abuso de poder. Mas foi liberado após cinco anos de prisão.






Mesmo com a recriação de época minuciosa, a produção, como era de se esperar, toma liberdades narrativas em relação aos acontecimentos reais:


Os mineiros trabalharam sem roupa?

Mineiros, engenheiros e trabalhadores do metrô foram de fato recrutados para escavar o reator, como parte de uma série de esforços para controlar o colapso, mas talvez não exatamente nas circunstâncias descritas. Há uma abundância de filmes e imagens documentais que sugerem que os mineiros trabalharam vestidos, e não nus.


Um helicóptero caiu por se aproximar da usina após a explosão?

De fato, um helicóptero caiu durante as operações para conter o desastre de Chernobyl — há filmagens do acidente no YouTube. Porém não pelo fato do piloto ter se aproximado demais do núcleo do reator da usina, conforme é retratado na série. Na realidade, o helicóptero bateu em um guindaste. Além disso, o acidente real ocorreu semanas após a explosão, e não nas horas seguintes.



ALÉM DAS TELAS

FATOS SOBRE O DESASTRE

Trecho do artigo "Chernobyl, uma tragédia eterna" publicado anteriormente neste site


As autoridades soviéticas evacuaram 40 mil pessoas em 3 horas.

A URSS vinha se preparando para a III Guerra mundial desde os anos 40, de maneira que procedimentos de evacuação das cidades eram treinados e aprimorados constantemente. Enquanto a contaminação nuclear avançava, tendo deixado tudo que tinham nos apartamentos, a população civil era levada para longe da zona contaminada em centenas ônibus e trens apressados, ao mesmo tempo que chegavam a cidade unidades do Exército Vermelho e pessoal civil para iniciar os combates aos efeitos da contaminação. Estavam sendo forjados em partículas atômicas os últimos heróis da União Soviética.

Os homens que salvaram o mundo.

Os liquidadores, como ficaram conhecidos os soldados de Chernobyl, foram conscientemente para a morte, trabalharam minimizando os efeitos da radiação em lugares que nenhum ser humano poderia ficar mais do que alguns segundos e livraram o mundo de uma catástrofe ainda maior. Para uma pessoa que não tem nenhuma ligação especial com o tema, é muito difícil compreender a real dimensão desse desastre, e sobretudo é desconhecido do público geral o quão ele poderia ter sido pior se não fosse pelo heroísmo de milhares de homens que deram a vida para fechar o portão ardente do inferno e liquidar os efeitos imediatos da catástrofe. Estes homens, heróis, soldados do exército vermelho, oficiais do partido e profissionais civis de diversas esferas ficaram conhecidos como liquidadores. Voluntários que atenderam ao chamado do Estado soviético para mais uma vez salvar o mundo, assim como seus pais e avós livraram o mundo do nazismo, a missão agora era contra o poder do átomo saído de controle. Os primeiros heróis foram os trabalhadores da usina que ficaram em seus postos na sala de controle até o último segundo na tentativa de evitar a catástrofe. Um deles foi pulverizado imediatamente após a explosão, os outros viriam a morrer dias depois, mas, desejariam ter morrido de imediato pois, o contaminado por radiação (a este nível) sente como se seu corpo estivesse em chamas.

Após a explosão, os primeiros a serem alertados foram os bombeiros da cidade, após o alarme se dirigiram imediatamente ao local, em poucos minutos já sentiam os efeitos da contaminação radioativa. Nenhum integrante da equipe, sendo o mais velho de 26 anos, sobreviveu.

1200 toneladas de magma incandescente queimavam liberando fumaça radioativa, se essa mistura de urânio e grafite entrasse em contato com a água acumulada abaixo do reator isso causaria uma segunda explosão, como uma super-bomba atômica, a cidade de Minsk, na Bielorussiaa, cerca de 350 km de distância seria varrida do mapa e a Europa ficaria praticamente inabitável.

A cidade foi evacuada e 48 horas após o acidente, as únicas pessoas lá eram os militares e membros da delegação cientifica reunidos no hotel Pripyat, um local altamente contaminado. No dia 27 a nuvem radioativa tinha se espalhado pela União Soviética e no dia 28 chegava à Europa Ocidental.

O governo soviético mobilizou 600 mil homens de toda a União Soviética para combater os efeitos do desastre em Chernobyl e evitar que outras áreas do país e do mundo fossem afetadas.

Como chegar próximo ao do marco zero que era sabidamente mortal? Inicialmente para os trabalhos mais perigosos foram utilizados veículos robôs, dentre eles o que melhor funcionou foi um veículo monitorado remotamente que havia sido criado originalmente para o programa lunar soviético, mas a radiação no local era tão absurdamente forte que afetava até mesmo o funcionamento das máquinas que enlouqueciam e não mais obedeciam aos comandos do operador remoto. Porém era necessário recolher milhares de materiais altamente radioativos resultantes da explosão no edifício e enterra-los evitando que a contaminação se espalhasse ainda mais.

Foi tomada a única decisão possível, era necessário utilizar “biorobôs” como ficaram conhecidos os soldados kamikazes soviéticos que em substituição aos robôs se exporiam voluntariamente a níveis de radiação tão elevados que nenhum ser vivo poderia suportar, mas era preciso cumprir a missão dada. Alguém tinha que fazer o trabalho, chegou a vez deles servirem a pátria, tal como seus país e avós na Grande Guerra Patriótica (II Guerra Mundial) eles também teriam sua chance de salvar o mundo. Moscou enviou 80 helicópteros militares para combater o incêndio, a tripulação deveria atirar sacos de areia e ácido bórico para extinguir as chamas, mas mesmo a 200 metros de altura os soldados recebiam dozes letais de radiação.

Durante a operação com helicópteros, 600 pilotos foram contaminados. Todos eles morreram, sendo que uma tripulação morreu quando ao entrar em pane o helicóptero se precipitou sobre a usina.

Em outra frente de combate, mineiros dos montes Urais foram chamados para cavar um túnel até a Usina e bombear a água acumulada em baixo e instalar um equipamento para resfriar uma laje evitando que ela se rompesse e o material radioativo atingisse os rios e consequentemente contaminasse o mar.

1200 toneladas de magma incandescente queimavam liberando fumaça radioativa, se essa mistura de urânio e grafite entrasse em contato com a água acumulada abaixo do reator isso causaria uma segunda explosão, como uma super-bomba atômica, a cidade de Minsk na Bielorussia cerca de 350 km de distância seria varrida do mapa e a Europa ficaria praticamente inabitável, mas graças a eles, o pior foi evitado.

Vilas foram enterradas, todos os animais foram sacrificados, duas cidades foram abandonadas para sempre, milhares perderam a vida, bilhões de dólares foram perdidos, mas devido a esses heróis verdadeiros e quase desconhecidos os efeitos do maior desastre industrial que a humanidade já viu foram contidos, embora muitos sofram até hoje, e outras gerações ainda serão marcadas por este evento sem precedentes. Em um dos mais espetaculares feitos de engenharia, engenheiros e trabalhadores soviéticos construíram um sarcófago no ambiente mais insalubre imaginável onde nenhum ser humano podia ficar mais que 14 segundos para selar o que restou da usina e o reator que ainda hoje queima lá dentro.

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