• Equipe Sputnik Consulting

Herói soviético combateu sem os dois braços

Atualizado: Abr 12


Foi ferido em combate durante a II Guerra, teve os dois braços amputados. Voltou para o front, foi promovido, chegou até Berlim com suas tropas. Lá, em combate, ficou novamente cara a cara com o alemão que havia disparado contra ele.


Vassili Stepanovitch Petrov

Nasceu em 05 de março de 1922 (a data exata de seu nascimento não é conhecida, mas, o próprio comemorava seu aniversário em 22 de junho) em uma aldeia chamada Dmitrievka, próxima ao mar de Azov no Oblast de Zaparojya (Ucrânia) em uma familia de camponeses. Em 1939 terminou a escola média.

Entrou para o Exército Vermelho em 1939. Em 1941 terminou o Liceu de Artilharia de Sumskii. Serviu na 92º divisão de artilharia (cidade de Vladimir-Volynskii).

Participou da Grande Guerra Patriótica apartir de 1941. Lutou no Sul, em Voroezh e no 1º Fronte Ucraniano.

Vice-comandante do regimento 1850º antitanque de artilharia (32º divisão de artilharia anti-tanque, 40º Exército, a Frente de Voronezh) O capitão Petrov se destacou nas batalhas no litoral oriental da Ucrânia, atravessando o rio Dnieper e mantenhdo uma ponte para a sua margem direita.

Em 1943 na região da aldeia Tcheberyaka (região de romenos no Oblast de Sumskaya) o capitão Vassili Stepanovitch Petrov sob um forte bombardeio da aviação e artilharia nazista, rapidamente e sem perdas organizou a realocação de três baterias através do rio Sula. Dentro de duas horas depois da realocação, as baterias realizaram o inesperado contra-ataque a 13 tanques e um batalhão, e estando colocadas a uma distância de 500 a 600 metros, abriram fogo destruindo 7 tanques e 2 batalhões da infantaria inimiga. O ataque dos nazistas fracassou.

Neste momento, 150 dos soldados alemães com metralhadoras foram contra as baterias, contornando sua formação de combate pela floresta à direita e abrindo fogo pesado de armas automáticas, tentaram cercar e capturar o pessoal da bateria. O Capitão Petrov, apesar dos gritos dos alemães em russo de "desista russo", virou 6 das baterias contra os soldados alemães e abriu um incêndio destrutivo contra os inimigos. Ao mesmo tempo, Petrov reuniu todos os que não estavam ocupados com as as baterias e criou um grupo de fuzileiros aos gritos de: "artilheiros não se entregam", "Venham comigo, pelo camarada Stalin, em frente! Vamos eliminar os fascistas alemães", ele partiu para o ataque aos alemães. Depois de uma batalha de 2 horas, Petrov repeliu o ataque, eliminou 90 soldados inimigos e oficiais, capturou sete, os outros fugiram. Nesta batalha, o capitão Petrov, apesar de ferido no ombro, permaneceu nas fileiras​​​​​​​.

Em 23 de setembro de 1943, substituindo o comandante do regimento, Petrov com as forças e meios do seu regimento, foi o primeiro na brigada a, em apenas uma noite, habil e rapidamente cruzar o rio Dnieper e enviar material, munições e pessoas à margem direita do rio, tomou posição de batalha, e firmemente segurou o controle da ponte defendendo contra repetidos ataques das forças nazistas.

Em primeiro de outubro de 1943, sob contra-ataque de tanques alemães, o capitão Petrov tendo colocado em posição de combate a primeira e segunda bateria, pessoalmente comandou o fogo e destruiu 4 tanques alemães e 2 morteiros de seis canos, porém, durante a batalha Petrov foi atingido a queima roupa em ambos os braços e, embora seriamente ferido, só permitiu que o evacuassem para um hospital de campanha depois que a ofensiva alemã foi rechaçada.

Então, atravessando o rio Dnepr, os médicos perceberam que Petrov estava gravemente ferido e era necessário amputar ambos os braços. Por mais de um ano ficou hospitalizado.

Da entrevista concedida por Petrov ao jornal “Fatos” em 24.07.2002:

"Eu quase morri em 1943 naquela ponte. Depois de superar uma distância de três quilômetros, gravemente ferido, fui levado pelos camaradas até Kovalin onde estava o nosso hospital de campo. Mas estava abarrotado com feridos, e eu como um desenganado, não fui operado.

Os mortos eram tantos que a equipe designada para fazer os enterros não dava conta e passaram a colocar os corpos em pilhas perto das ruínas das casas e celeiros destruídos.... Em um desses celeiros eu também fui colocado."

Quando o comandante da brigada informou que Petrov havia sido enviado para o necrotério, o coronel Kupin da brigada ordenou ao capitão Zapolsky e ao majr Galusko que retornarsem imediatamente ao local e encontrassem o meu corpo para ser enterrado na minha aldeia natal. Eles procuraram o meu corpo por quase um dia inteiro, mas, não puderam cumprir a ordem. Retornaram e informaram que eu já havia sido enterrado. Mas Kupin se recusava a acreditar nisso. Ele ordenou que continuassem buscando meu corpo.

Finalmente, entre os mortos, eles me descobriram vivo e novamente me levaram para o hospital de campanha e apontando a pistola para a cabeça do cirurgião, ordenaram que fizesse tudo para salvara minha vida. Ele disse que faria a operação, mas, preveniu-os que minha chance de sobrevivência era quase nula. Contudo, a operação foi um sucesso e depois de algumas semanas, no final de novembro ou início de dezembro de 1943 me levaram em um avião U-2 para instituto de fisioterapia e próteses de Moscou”

Vassily Petrov ainda afirmou que tendo acordado no hospital, sentiu uma dor tão intensa que gritou até não ter mais forças, pensava que a vida tinha acabado, inválido fumava até 100 cigarros por dia. Ofereceram a ele um cargo de segundo secretário de uma das comissões distritais do partido em Moscou, mas sua vontade era de estar na frente de batalha.

O decreto do Presidium do Soviet Supremo da URSS de 24 de dezembro de 1943 nomeou pela bem-sucedida travessia do rio Dnepr, contenção do ataque nazista demonstrando coragem e estoicismo, o capitão Vassily Stepanovich Petrov com o título de Herói da União Soviética com condecoração da ordem de Lenin e “Estrela de Ouro” (No. 3504).

Na primavera de 1944, com permissão do comandante supremo Iosef Stalin, o major Petrov foi novamente integrado no exército ativo. Interessante que ele apenas foi saber de tal formalidade em 1982, quando completou 60 anos.

A guerra já estava chegando na Alemanha. Lá Vassily Stepanovich salvou do fuzilamento por seus subordinados (Vassily era o superior) o alemão que havia atirado nele.

“ - Vassily Stepanovich, o senhor salvou a vida do homem que atirou no senhor...

- Sim, isso aconteceu na Alemanha, alguns dias antes de nossos amigos erguerem o estandarte soviético no parlamento alemão. Eu estava ferido, devido a uma grande perda de sangue havia perdido a consciência mas consegui ordenar que a área fosse isolada e o homem fosse mantido sob custódia. Quando perguntaram ao prisioneiro quem havia atirado. Ele se chamava (até hoje lembro) Paul Imler. Todos os meus homens concordavam que para ele não deveria haver misericórdia e perdão.

A última palavra ficou comigo. (nessa época o major Petrov já comandava o 248º Regimento da Guarda de artilharia antitanque de Livov.) Eu cumprimentei o major Aleksey e disse: “Sem fuzilamentos! Ordeno que coloquem este homem em um blindado de transporte e o levem para atrás da linha de combate e o libertem.”

- O que naquele momento motivou a vossa decisão?

- A guerra já estava decidida, e a morte daquele homem já não mudaria nada. Pela fita branca e vermelha na sua jaqueta entre o segundo e o terceiro botão dava para imaginar que ela já estava há muito tempo na guerra. Aquelas fitas eram dadas a todos os soldados que tomaram parte na campanha do inverno de 1941. Deitado em uma maca eu olhava para aquele rapaz e pensava: “Ele passou por toda a guerra. E agora, quando os dias até o final dela estão contados, ele deve morrer? .... Não é justo! ”

Isso foi uma resposta para a questão sobre quem era na realidade o soldado soviético libertador. Em 9 de março de 1945 forças inimigas foram para o ataque na região de Paul-Gros-Noikirs (10 km no sul da Kozel, Alemanha) com a missão de expulsar os soviéticos de sua posição na margem do rio Oder:

Petrov, com habilidade e coragem, liderou a luta de seu regimento, pessoalmente, colocava em formações de combate as baterias sob fogo de artilharia pesada, morteiros e metralhadoras, repetidamente arriscou sua vida durante a batalha de duas horas sendo capaz de repelir os 5 contra-ataques, impediu os alemães de travessar a ponte. Na batalha, foram destruídos 9 tanques e mortos mais de 180 soldados e oficiais.

15 de março de 1945 na batalha para romper as defesas inimigas na margem oeste do rio Oder o Major Petrov apresentou os maiores exemplos de gestão operacional e coragem inabalável na realização de sua missão. Sob sua liderança, o regimento destruiu 4 canhões 13 postos de tiro e 120 soldados e oficiais inimigos foram mortos.

Em 19 de abril de 1945, em uma sangrenta batalha na região de Niski (Alemanha) o major Petrov novamente mostrou sua coragem ilimitada, heroísmo e conhecimento para comandar uma divisão sob qualquer circunstância.

O inimigo, tendo concentrado grandes forças de infantaria e tanques, iniciou uma série de ataques ferozes na direção da rodovia Rothenburg em Niski com a tarefa de cortar a estrada em que as tropas da União Soviética usavam para avançar até Dresden. O major Petrov com objetivo de ocupar uma linha de defesa antitanque vantajosa virou duas baterias para o ataque a uma vila ocupada pelo inimigo. Graças a uma hábil combinação de tiros de bateria a curta distância com metralhadoras artilharia e excepcional coragem do comandante do regimento, o Major Petrov, a localidade Edernits-Vilgelminental foi tomada, e o regimento foi fixado em um local favorável.

Os inimigos várias vezes passaram a um contra-ataque ferrenho, mas o regimento liderado por Petrov bravamente repeliu todos os ataques desta vez destruindo 8 tanques e matando 200 soldados inimigos.

20 de abril de 1945, em formação de batalha moviam-se 16 tanques e um batalhão de infantaria. Pessoalmente conduzindo as baterias, o major Petrov conseguiu repelir o inimigo da estrada para Dresden. Nesta batalha, o regimento destruiu 4 tanques.

Em combate, em 27 de abril de 1945 comandando um ataque com o 1º Batalhão, 78º Regimento de Infantaria o major Petrov foi novamente ferido.

Por decreto do Presidium do Soviet Supremo da URSS de 27 de junho de 1945 pela defesa do platzdarm (termo militar. Em português: cabeça de ponte. Trata-se de um território utilizado para a preparação de tropas para um ataque) em Oder o major Vassily Stepanovich Petrov foi condecorado com a segunda medalha “Estrela Dourada” (No. 6091).

Depois da guerra continuou servindo nas Forças Armadas. Tronou-se membro do PCUS (Partido Comunista da União Soviética) em 1945. Em 1954 formou-se na Universidade Estatal de Livov tendo escrito em a dissertação “O Imperador Bismark e o surgimento do Império Alemão 1860-1871). Durante sua defesa, a presidente da banca perguntou: "Vassily Stepanovich, você não acha que você está cantando os louvores do modo de vida capitalista?" Ao que ele respondeu: "Eu não canto quaisquer louvores, mas apenas constato a grandeza do espírito humano e a superioridade do modelo da ordem sobre o caos." Depois dessas palavras, o salão explodiu em aplausos.

Em 1963 Petrov serviu em uma pequena cidade próxima a Livov como subcomandante da 35º brigada de mísseis estratégicos.

Apesar de tudo, houve colegas que o tomavam o herói soviético como um trapaceiro, argumentando a falta de assinaturas na declaração de pagamento das pensões a que tinha direito. Às vezes, deficientes eram ajudados, sendo a papelada assinada por um auxiliar. Já havia sido posta em votação a questão sobre a expulsão do Partido do camarada Petrov quando na porta da sala de reunião onde a reunião era realizada, bateu um plantonista: "Camarada coronel" disse ele ao superior da brigada. "Mensagem de telefone de emergência do comandante da artilharia das Forças Armadas da URSS" Depois de lê-lo, o comandante da brigada disse: "Camaradas, o Conselho de Ministros da URSS decretou, o Coronel Petrov Vasily Stepanovich foi premiado com a patente militar -" Major-General ".

Depois da dissolução da URSS continuou servindo no exército ucraniano. Em março de 1994, por decreto do presidente da Ucrânia o Major-General Vassily Stepanovich Petrov foi para a reserva.

Nos últimos anos de vida o Major-General Vassily Stepanovich Petrov viveu em Kiev. Certa vez quando esteve internado em um hospital da cidade a casa que servia de arquivo do coronel, onde era guardada todas as suas coisas e documentos que contavam sua história e parte importante da história do pais foi vendido pelo Estado Ucraniano, todas as coisas do Major-General foram jogadas no lixo e a casa transformada em um museu de Golda Meir, primeira ministra da Israel (1964-1969).

Depois disso, o Major-General, Vassily Petrov viveu seus últimos dias em uma datcha. Morreu esquecido em 15 de abril de 2003 e foi enterrado em Kiev por seus familiares. Teve o mesmo triste destino de tanto outros milhares de heróis do povo, heróis da pátria soviética. Heróis esquecidos de um país que já não existe.


0 visualização