• Equipe Sputnik Consulting

Vladimir Fralov, a Guerra e o Metrô.

Atualizado: Abr 12



Estacão Novakusnetskaya do metrô de Moscou

A história da construção do metrô de Moscou é também a história pessoal de milhares de trabalhadores, muitos deles voluntários da juventude do partido, outros mineradores de Donbas na Ucrânia. A maioria dessas histórias é desconhecida, mas algumas por sua magnitude ficaram gravadas não apenas nos mármores das estações mas, na própria história do país. A construção do metrô de Moscou não era apenas mais uma obra de engenharia civil. Tendo vencido a Guerra Civil, o poder soviético podia agora se voltar para os problemas da vida no país. A capital da jovem União Soviética vivia dias de caos, a população de Moscou crescia a taxas inacreditáveis, ir e voltar do trabalho já era uma odisseia diária quando o antigo sistema de bondes da cidade entrou em colapso. O escritório de engenharia do Estado recebeu as ordens e deveria projetar e construir a primeira linha no prazo estipulado. A construção de um sistema de metrô na capital ainda na década de 30 era mais do que um desafio técnico, o Estado soviético deveria provar que poderia revolucionar a vida no país. Moscou se transformou

em um grande canteiro de obras. As primeiras estações foram inauguradas, o metrô funcionava, a vida melhorava e seguia seu rumo. Veio a guerra. As estações foram convertidas em abrigos subterrâneos, as pessoas agora viviam nos salões e tuneis. O Alto comando foi transferido do kremlin para a estação Maiyakovskaya. Aos poucos a pressão sobre Moscou diminuía com os reforços vindos de outras partes do país e a construção do metrô deveria continuar mesmo sob eventuais bombardeios e mesmo outras regiões estando ocupadas pelo inimigo, neste momento Stalingrado passava seus dias mais difíceis, Leningrado estava bloqueada pelos exércitos nazistas. E era justamente em Leningrado que em um antigo instituto de artes trabalhava solitário dia e noite sob a luz de lampiões o mestre dos mosaicos VLADIMIR FRALOV, Fralov havia nascido em 1874, toda sua vida trabalhou em São Petersburgo/Petrogrado/Leningrado. Nessa altura era o principal mestre em sua arte na URSS. Fralov recebeu a incumbência de fazer os mosaicos para a nova estação do metrô de Moscou, Novakusnietskaya. Fralov imaginou mosaicos que retratam a explosão de vida e otimismo bem como o progresso da União Soviética interrompido pela guerra com o nazismo, mas que certamente seriam retomados depois da vitória.

Retratando a vida com minúsculos pedaços de pedras em seus painéis, Fralov estava cercado de morte e frio. O exército nazista bloqueava Leninrado há mais de um ano, a população sobrevivia e lutava com uma ração diária de poucas gramas de pão, a fome e o inverno com temperaturas que batiam os 40 graus negativos mataram 2 milhões de pessoas na cidade. Faminto, já quase sem as luzes das lanternas a querosene, sozinho em seu instituto ouvindo as bombas que caiam fazendo tremer as janelas cerradas por fora com sacos de areia, depois de ter perdido para a fome seus dois últimos ajudantes, Vladmir Fralov continuava moldando e juntando milhares de pedras coloridas até que ficou pronto seu último painel, entregou o trabalho encomendado em 1942, e só então, pouco tempo depois, permitiu-se sucumbir à fome.

A 8 de setembro de 1941 a cidade já estava completamente cercada. Leningrado passou a ser bombardeada dia e noite, por artilharia e aviões. O alto comando alemão decidiu que a cidade seria vencida pela fome e cortou todos os acessos por terra. Os soviéticos fizeram algumas tentativas de romper o cerco por dentro, tendo que aguentar intensos bombardeios diários. Ainda assim, os russos não cederam. Através do lago Ladoga congelado os russos construíram uma estrada de ferro e mantiveram a cidade minimamente abastecida. Este caminho ficou conhecido como "Estrada da Vida".

No geral, o cerco a Leningrado durou cerca de 900 dias e custou a vida de aproximadamente 2 milhões de pessoas (a maioria civis). A destruição e o número de fatalidades fez da batalha por Leningrado uma das mais sangrentas já travadas em uma cidade moderna. A fome foi uma das principais causas de mortes.


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