• Equipe Sputnik Consulting

O Palmeiras é o símbolo do Brasil de 2018



O futebol é hoje um dos principais e mais bem-sucedidos instrumentos de lavagem de dinheiro e ocultação de patrimônio. Não apenas no Brasil, mas principalmente no futebol europeu. Dos principais times da Europa atualmente, creio que apenas Manchester United e Liverpool estejam de alguma forma mais ou menos limpos. Barcelona e Real Madrid são dois instrumentos de governos locais numa rivalidade nacional, recebendo todo tipo de isenção fiscal possível. O Atlético de Madrid é financiado pela ditadura que governa a ex-república soviética do Azerbaijão. A Juventus é um instrumento de manipulação financeira da FIAT. O Bayern de Munique teve seu último presidente preso por fraudes fiscais. O PSG é usado para lavar o dinheiro de grupos ligados à ditadura que controla o Qatar. Todo mundo sabe. Todo mundo finge que não sabe.

Nenhuma liga no mundo é hoje mais dominada pelo dinheiro sujo ou mal explicado do que a Liga Inglesa. “O melhor campeonato do mundo”, como gosta de alardear a mídia. Os três últimos campeões são sustentados por mutreteiros. O Chelsea é financiado pelo bilionário russo Roman Abramovitch, banido de seu país natal por ter praticado diversos crimes financeiros. O Leicester é financiado por um milionário tailandês e o Manchester City por dinheiro árabe, numa situação semelhante à do PSG. O Reino Unido é hoje um dos principais paraísos fiscais do mundo. A regra britânica é que qualquer pessoa que estiver disposta a investir um milhão de libras em território britânico ganha automaticamente a cidadania, sendo prometido sigilo bancário e proteção. É por isso que o país é destino de todo tipo de mafioso vindo das mais diversas partes do mundo, especialmente Rússia, China, Turquia e países árabes. Um dos maiores descontentamentos que a terra da rainha tinha e ainda tem com a União Europeia é que de alguma forma o continente europeu queria barrar a farra britânica. Algo semelhante começa a ocorrer agora na Itália. Os dois times de Milão, Inter e Milan, foram vendidos para grupos chineses.

Na temporada passada, um pouco antes de uma partida de quartas-de-final de Copa dos Campeões entre Monaco e Borussia Dortmund, uma bomba explodiu perto do ônibus que levava o time alemão para a partida. No dia seguinte, descobriu-se que a bomba havia sido instalada por um investidor. O Borussia tem sua ações negociadas na Bolsa de Valores e o investidor havia apostado no dia anterior que o Borussia sofreria uma grande desvalorização. Foi preso, mas ganhou alguma grana. Apostas. Emissoras de TV, atletas e clubes são hoje financiados por sites de apostas. O maior patrocinador do Hertha Berlin é um site de apostas. A ESPN Brasil tem uma propaganda de site de apostas a cada intervalo. Alguns garotos propagandas são comentaristas esportivos. Cristiano Ronaldo é a estrela de um dos sites. Isto não se aplica apenas a futebol, aliás. Rafael Nadal também é patrocinado por um site de apostas esportivas. Isto é antiético? Sim, muito. Mas muita gente ganha muito dinheiro com isso. Então deixa quieto. Todo mundo sabe, todo mundo finge que não sabe.

A maior participação de grupos internacionais de lavagem de dinheiro no futebol estão inflacionando os valores dos jogadores. Há poucas formas melhores para se lavar dinheiro do que contratar um jovem jogador de futebol brasileiro por mais de R$ 1 bilhão de reais. Ele vale isso? A resposta para a pergunta é indiferente. O objetivo não é pagar o quanto ele vale. É lavar o máximo de dinheiro possível, contando para isto com o silêncio da mídia, interessada em fazer parte do ciclo.

O primeiro processo deste tipo a ter acontecido no futebol brasileiro foi sem dúvida o Palmeiras da Parmalat. Interessada em “apresentar seus produtos” no Brasil, a Parmalat basicamente comprou o futebol palmeirense e começou a formar esquadrões. Alguns anos depois, descobriu-se que era basicamente uma fraude voltada para lavar o dinheiro da empresa. “Descobriu-se”? Todo mundo já sabia. Todo mundo fingia que não sabia. Outras parcerias parecidas aconteceram nos anos seguintes, sempre resultando em craques, títulos e numa posterior falência, com a empresa midas quebrando ou passando dificuldade. Flamengo – ISL. Fluminense-Unimed, Corinthians-Hicks. O caso mais clássico de todos, sem dúvida alguma, é Corinthians-MSI. A sociedade agiu passivamente à aparição de um iraniano morando na Inglaterra que trazia dinheiro russo para contratar um craque argentino para o Corinthians. A verdadeira globalização da picaretagem. Título, lavagem de dinheiro e quebradeira se seguiram.

A nova etapa deste processo no Brasil é a parceria Palmeiras-Crefisa. Sem querer afirmar absolutamente nada, mas ela é no mínimo esquisita. Uma empresa sem nenhum vínculo esportivo começa a, do nada, torrar um dinheiro absurdo num clube de futebol, aparentemente sem receber um retorno. Leila diz que “ama o Palmeiras”. Como nos casos anteriores, a ação da mídia é baseada em silêncio e elogios. O Palmeiras como um exemplo de “gestão”. Em 2018, o Palmeiras-Crefisa ganhou seu segundo título brasileiro, graças a um elenco milionário e desequilibrado do restante do campeonato. A mídia comemora a esquisitice, passando propagandas da Crefisa e da Faculdade das Américas no intervalo das partidas.

A palavra que define o ano de 2018 no Brasil é cinismo. Jair Bolsonaro venceu uma eleição tendo como base a mentira. Todas as pessoas que o apoiam e votaram nele sabem que boa parte do que ele diz é mentira. Repetem as mentiras sabendo que estão mentindo. Não importa. A eleição foi decidida graças a uma canetada de um juiz, que prendeu de forma arbitrária e sem provas a pessoa que provavelmente venceria Bolsonaro. Como prêmio, este juiz foi chamado para ser ministro por Bolsonaro, com a garantia que será indicado pelo Supremo. A situação é absurda? É. Está mais do que claro que o juiz agiu politicamente? Sim. Para justificar, basta ser cínico. Moro agiu de forma imparcial, diz o cínico. Bolsonaro venceu de forma limpa, diz o cínico. Temos que torcer pelo seu sucesso, diz o cínico. A relação Palmeiras-Crefisa é normal, diz o cínico. Bolsonaro recebendo a taça pelo Palmeiras-Crefisa é o símbolo que faltava por ano. Os dois se reconhecem. Ambos são fruto do cinismo. O Palmeiras-Crefisa puxa o saco do novo líder. Bate continência. O novo líder se aproveita disso. O Palmeiras é o símbolo do Brasil de 2018. Sua conquista é fruto de relações econômicas controversas. Seu principal ídolo Dudu é condenado por agressão a mulheres. Seu segundo maior ídolo, Felipe Melo, tem como principal "mérito" o uso da violência. Corrupção e agressividade. Todos que estão em silêncio sabem, mas preferem calar. O futuro será implacável com os que hoje se calam. Quer apostar?

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