• Equipe Sputnik Consulting

O que está em jogo para os EUA na Venezuela?


A narrativa de que Washington quer impor um regime fantoche pró-EUA à Venezuela para controlar todo o petróleo do país não faz muito sentido quando consideramos que já compra 41% das exportações totais da República Bolivariana, o que significa que outra explicação mais complexa precisa ser oferecida para dar conta da questão.


A Comunidade de esquerda está cheia de comentários sobre como os EUA querem impor um regime fantoche na Venezuela para controlar o petróleo do país, mas isso não faz muito sentido porque já compra 41% do total das exportações da República Bolivariana. Isso fica evidenciado pelo relatório executivo da Agência de Informação sobre o comércio de energia entre os dois países de 7 de janeiro de 2019.

Os EUA são os principais clientes da Venezuela, enquanto a Venezuela é o terceiro maior fornecedor de petróleo bruto de acordo com o relatório. Dada essa ironia entre os dois inimigos geopolíticos e ideológicos, os EUA naturalmente querem ter acesso e controle total do recursos das maiores reservas de petróleo do mundo no cinturão do Orinoco. Mas Washington não está apenas travando esta Guerra Híbrida pelo petróleo. A verdade é que o controle sobre o petróleo da Venezuela é, de fato, uma das motivações por trás desse conflito, embora não da maneira como está sendo retratada. Além de garantir o controle geopolítico completo sobre a Bacia do Caribe e confrontar ideologicamente o bolivarianismo, os EUA querem obter influência predominante sobre a Venezuela para incorporá-la a uma estrutura semelhante à da OPEP para desafiar o acordo conjunto russo-saudita da OPEP + do final de 2016 que já previa a formação de um cartel “Norte-Americano e Sul-Americano de Exportadores de Petróleo” (NASAPEC). Essa entidade funcionaria como componente de energia da “Fortress America's” e teria o potencial de exercer uma forte pressão de longo prazo sobre o mercado internacional de petróleo as custas da Rússia e da Arábia Saudita. Quando combinado com os planos conjuntos de investimentos em GNL dos EUA e do Catar, fica claro que os EUA estão fazendo um jogo de poder global pelo controle da indústria de energia do mundo, o que poderia afetar adversamente a Rússia. A Multipolar Grande Potência Euroasiática depende de suas exportações de energia para promover seus interesses financeiros e geopolíticos, embora isso possa ser mais difícil de fazer apesar de suas parcerias de petróleo e gás com a Arábia Saudita e o Irã, respectivamente (que fazem parte da estratégia de “balanceamento” do país) no caso de que a NASAPEC do Hemisfério Ocidental dos EUA e sua aliança de GNL com o Catar sejam capazes de competir com ela (Rússia) de maneira poderosa em todo este domínio. O risco potencial é que a Rússia possa perder muito dinheiro a longo prazo se os EUA puderem manipular os baixos preços do petróleo e do gás, o que pode ser combinado com o aumento dos custos associados à uma Nova Corrida Armamentista causada por Washington. A retirada do Tratado INF para impor uma pressão imensa sobre Moscou para competir com seu principal rival geopolítico.

O legado definitivo do presidente Putin baseia-se em sua capacidade de cumprir as muitas promessas socioeconômicas que fez a seus compatriotas durante sua campanha de reeleição no ano passado, todas essas promessas se basearem na suposição de que os futuros mercados de petróleo e gás liquefeito permaneceriam estáveis e em grande parte sob a influência controladora da Rússia, bem como a expectativa de que os avanços do míssil hipersônico do país poderiam deter o início de uma dispendiosa Nova Corrida Armamentista. Os movimentos militares e energéticos supracitados dos EUA destruíram essas presunções e podem forçar o líder russo a tomar medidas mais ousadas no xadrez internacional.

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Texto baseado no artigo de Andrew Korybko

Fonte: eurasiafuture.com

https://eurasiafuture.com/2019/01/26/why-would-the-us-want-venezuelas-oil-when-it-already-buys-41-of-its-total-exports/

#Venezuela #Geopolítica #EUA #petroleo

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