• Equipe Sputnik Consulting

Covid-19: ONU vê “danos econômicos sem precedentes” e pede US$ 2,5 trilhões para países pobres

Atualizado: Mai 21

A ONU pediu na segunda-feira(30.03) um pacote de US$ 2,5 trilhões para combater os impactos econômicos da pandemia de covid-19 nos países em desenvolvimento.

Segundo as Nações Unidas, excluindo a China, dois terços da população mundial vivem nessas nações e estão enfrentando “danos econômicos sem precedentes”.





Consequências

Um estudo da Conferência das Nações Unidas sobre Comércio e Desenvolvimento, Unctad, afirma que o choque econômico da pandemia atingiu estes Estados-membros com uma “velocidade dramática, mesmo em comparação com a crise financeira global de 2008.”


Falando à ONU News, de Brasília, o especialista da Unctad Nelson Barbosa explicou as grandes conclusões do relatório.


"A Unctad aponta que, além das ações já apontadas nos países mais ricos, é necessário um esforço internacional para ajudar os países mais pobres, os países que não tem condição sozinhos de enfrentar essa crise. Essa ajuda é de US$ 2,5 trilhão, inclui US$ 1 trilhão por parte do FMI para combater os efeitos financeiros da crise, para atenuar a flutuação cambial e permitir o refinanciamento ou o pagamento dos compromissos já agendados. E inclui também US$ 500 bilhões em ações de saúde, transferência de recursos, testes, ampliação de capacidade de hospitais e tratamento para os doentes para que os países mais pobres possam reforçar seus sistemas de saúde. "


Previsões

O secretário-geral da Unctad, Mukhisa Kituyi, disse que "as consequências econômicas do choque são contínuas e cada vez mais difíceis de prever, mas há indicações claras de que as coisas piorarão muito antes de melhorar."

Nos dois meses desde que o vírus começou a se espalhar, os países em desenvolvimento sofreram um enorme impacto. Isso pode ser visto em dados como saídas de capital, aumento de juros, depreciações cambiais e perdas nas receitas de exportação, devido à queda nos preços das matérias primeiras e turismo. 

Diante disso, a Unctad afirma que “não está otimista sobre o tipo de recuperação rápida testemunhada em muitos países em desenvolvimento entre 2009 e 2010.”





Indicadores

Em um mês, entre fevereiro e março, foram retirados cerca de US$ 59 bilhões dos portfólios financeiros das principais economias emergentes. Em comparação, logo após a crise financeira global, em 2008, foram retirados US$ 26,7 bilhões, menos de metade desse valor. 

Já os valores das moedas, caíram entre 5% e 25% em relação ao dólar americano desde o início do ano, também mais rapidamente do que nos primeiros meses da crise financeira global. 

Outro dado muito importante para estes países são os preços das matérias primas, conhecidas como commodities, que também caíram de forma acentuada. Desde o início do ano, o declínio geral dos preços foi de 37%.


Resposta

Nos últimos dias, economias desenvolvidas e a China aprovaram enormes pacotes de estímulo econômico. De acordo com o grupo das 20 principais economias, G20, esses planos devem alcançar um valor de US$ 5 trilhões.

O relatório afirma que esta “resposta sem precedentes a uma crise sem precedentes, atenuará a dimensão do choque físico, econômico e psicológico da crise.” Segundo os cálculos da ONU, devem aumentar a demanda entre US$ 1 trilhão e US$ 2 trilhões e a recuperação da produção global em dois pontos percentuais.


Mesmo assim, a economia mundial entrará em recessão em 2020 com uma perda prevista de receita global de trilhões de dólares. Isso significará sérios problemas para os países em desenvolvimento, com a provável exceção da China e a possível exceção da Índia.

Solidariedade Para os países em desenvolvimento, a Unctad estima um déficit de financiamento de US$ 2 trilhões a US$ 3 trilhões nos próximos dois anos. A agência da ONU destaca a falta de capacidade monetária, fiscal e administrativa para responder à crise, dizendo que as consequências “serão catastróficas para muitos países em desenvolvimento e irão interromper o progresso em direção aos Objetivos de Desenvolvimento Sustentável.” O diretor de Estratégias de Globalização e Desenvolvimento da Unctad, Richard Kozul-Wright, destacou a resposta dos países desenvolvidos para proteger seus cidadãos e empresas. Mas, segundo o especialista, é necessária “uma resposta global solidária e uma ação proporcional para as seis bilhões de pessoas que vivem fora das principais economias do G20".

Estratégia A Unctad propõe uma estratégia em quatro frentes para resolver o problema.  Primeiro, uma injeção de liquidez de US$ 1 trilhão. Depois, uma redução das dívidas soberanas e uma suspensão nos pagamentos dos juros, semelhante ao perdão que foi concedido à Alemanha depois da Segunda Guerra Mundial.  Em terceiro lugar, a agência sugere um plano de recuperação com base em promessas assistência oficial ao desenvolvimento que não foram concretizadas. E, por fim, o controle dos fluxos de capital para reduzir o aumento das saídas, a falta de liquidez e deter quedas nos preços de moedas e ativos.

Publicado pela Organização das Nações Unidas em:

https://news.un.org/pt/story/2020/03/1708882

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