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VENEZUELA: Os EUA estão movendo suas peças



Os recentes movimentos de tropas dos EUA, relatados por fontes públicas e pela mídia, confirmam que Washington está se preparando para se aproximar militarmente da República Bolivariana da Venezuela sob o pretexto de uma suposta "intervenção humanitária". Cuba disse em 13 de fevereiro, em um comunicado do governo revolucionário, que os Estados Unidos procuram produzir "um pretexto humanitário para a agressão militar contra a Venezuela" e denunciou voos militares na região do Caribe, como parte dos preparativos. Embora fontes em Washington e alguns dos países envolvidos tenham sido rápidos em negar as denúncias cubanas, as últimas informações disponíveis ratificam e ampliam a evidência de um cerco militar contra Caracas. "Os Estados Unidos silenciosamente acumulam seu poder militar perto da Venezuela", disse o jornalista e especialista militar britânico Tom Rogan no jornal Washington Examiner. "Uma importante presença naval dos Estados Unidos está operando perto da Colômbia e da Venezuela. Seja por coincidência ou não, essas movimentações dão à Casa Branca uma gama crescente de opções ". Segundo Tom Rogan, em menos de uma semana o Pentágono é capaz de mobilizar 2.200 fuzileiros navais, jatos de combate, tanques e colocar dois porta-aviões na Venezuela.

Os três pontos do tridente americano, o Caribe, Colômbia e Brasil.

Não é coincidência que o almirante Craig Faller, chefe do Comando Sul, tenha visitado Bogotá, Brasília e Curaçao durante as últimas semanas, oficialmente para a organização da entrega de "ajuda humanitária" à Venezuela.

O Caribe: Do porta-aviões Abraham Lincoln para Curaçao Com a autorização da Holanda, os Estados Unidos organizam um centro de distribuição para a alegada ajuda na ilha de Curaçao, cerca de poucos quilômetros das fronteiras com a Venezuela. Mas a mobilização militar é muito mais ampla na região do Caribe. Na denúncia cubana, explica-se como entre 6 e 10 de Fevereiro de 2019, foram realizados voos de aeronaves de transporte militar para o aeroporto Rafael Miranda de Puerto Rico, a Base Aérea de San Isidro, na República Dominicana e para outras ilhas do Caribe estrategicamente localizadas. Agora, há o anúncio de que a Marinha dos Estados Unidos mobilizou um Grupo de Ataque com Porta-Aviões (CSG) no Oceano Atlântico e na costa da Flórida. A frota consiste no porta-aviões USS Abrahm Lincoln (CVN-72), um cruzador de mísseis e quatro contratorpedeiros, bem como uma fragata da marinha espanhola convidada a participar.

O grupo iniciou no dia 25 de janeiro os exercícios COMPTUEX, supostamente destinados a preparar a formação antes de uma operação militar. Embora sua localização atual e o destino sejam desconhecidos, os consultores militares Stratfor e Southfront localizaram o GSG em algum ponto do Atlântico, na costa do estado da Flórida. Nos últimos dias, foi relatado que o grupo havia ensaiado um cruzamento de estreitos, uma manobra necessária para entrar no Mar do Caribe, que é separado por alguns dias de navegação. Ragan aponta outra informação interessante em seu artigo. Os Estados Unidos poderiam ter não um, mas dois porta-aviões na faixa operacional da Venezuela em uma semana. O porta-aviões USS Theodore Roosevelt e o navio USS Boxer de desembarque anfíbio estão agora no porto de San Diego, Califórnia, a menos de uma semana da costa do Pacífico colombiano. "O USS Boxer tem a bordo a décima primeira Unidade Expedicionária de Fuzileiros Navais (MEU), uma das 7 MEUs do Exército dos EUA. Esta unidade de fuzileiros navais tem aproximadamente 2.000 homens. O propósito expresso de uma MEU é oferecer uma capacidade de rápida engajamento militar ", diz Ragan.

Colômbia, para onde Bolton quer enviar 5.000 soldados

Desde a época do Plano Colômbia, inaugurada em 1999, a Colômbia é um dos principais aliados militares dos Estados Unidos na região. Washington estava prestes a instalar formalmente sete bases militares em território colombiano durante o mandato de Álvaro Uribe, mas uma decisão do Tribunal Constitucional bloqueou o plano. No entanto, Bogotá encontrou uma maneira de contornar isso e, finalmente, autorizou a presença americana e a implantação de logística nas principais instalações militares do país andino. Essa aliança estreita chegou às manchetes no final de janeiro, quando o Conselheiro de Segurança Nacional na Casa Branca, John Bolton, mostrou "acidentalmente" uma anotação em seu caderno com o plano de enviar 5.000 soldados dos EUA para a Colômbia, como parte da operação contra a Venezuela. O próprio presidente Donald Trump não descartou a idéia e, quando perguntado sobre isso durante uma reunião com seu colega colombiano, Ivan Duque, ele simplesmente disse: "Vamos ver".

O Brasil de Bolsonaro, um novo aliado do Pentágono

O Brasil, o maior país da América do Sul e com as maiores forças militares, tornou-se nos últimos anos um aliado inesperado do Pentágono na região. Os governo de Jair Bolsonaro pretende mudar a matriz economia e política do Brasil. Em uma das primeiras entrevistas depois de assumir o cargo de presidente, Bolsonaro ao canal SBT aventou a possibilidade de instalar uma base militar norte-americana no país. Mas Bolsonaro, um ex-capitão, um posto menor, parcialmente retratou sua ideia ao receber fortes críticas de seus próprios generais. No entanto, ninguém duvida da proximidade do novo presidente brasileiro com seu colega americano, nem da admiração de dois de seus filhos pelo Mossad (serviço secreto de Israel) e pelo exército israelense.O chefe do Comando Sul dos Estados Unidos esteve na semana passada no Brasil e foi recebido pelo ministro das Relações Exteriores, Ernesto Araújo, com quem discutiu o "caso da Venezuela". Bolsonaro comprometeu-se a usar o estado de Roraima como um centro de coleta para a alegada ajuda humanitária à Venezuela e, portanto, para o desdobramento logístico dos EUA. Seja qual for o objetivo da mobilização militar ordenada pela Casa Branca - dos preparativos para uma agressão direta a outra medida de pressão psicológica contra suas autoridades Venezuelanas -, o que é inegável neste momento é que os Estados Unidos movem suas cartas no região para cercar a Venezuela por todas os lados.

Com conteúdo CubaDebate

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