Como a república Pridnestróvia se tornou

refém de fatores políticos internacionais,

e o que fazer com isso.

Geopolítica, Pridnestróvia, Ucrânia, Rússia, Conflito
Texto
Sérgio Lessa. Julho de 2016 

 

As relações com os vizinhos, pelo fato de o país não ser reconhecido internacionalmente e estar em constante estado de tensão com a Moldávia, de quem declarou independência, sempre mereceram especial atenção. Muitas coisas na vida da população deste país não reconhecido dependem da posição de determinados países. A possibilidade de sair livremente para o exterior, comercializar com o mundo, tudo que em suma determina a vida de toda a república, salário, benefícios sociais e a própria segurança física.

Recentemente, o governo da Pridnestróvia admitiu que em 2015 existiu um risco muito real de confrontos na fronteira com a Ucrânia (pelo lado da Moldávia, a situação permanece mais ou menos previsível devido a operação de paz por parte de tropas russas).

De um modo geral, a situação em torno da Pridnestróvia ao longo de sua história nunca se desenvolveu de forma positiva, na melhor das hipóteses  permaneceu estável. A Moldávia, na pratica, convenceu-se de que pela força não pode destruir a Pridnestróvia, em meados da década de 2000 (após o colapso das esperanças de associação no chamada "Memorandum Kozak") foi lançada uma estratégia de asfixia sistemática da república por via econômica, de transportes, bancária, e com bloqueio diplomático e informacional, reforçada pela crise ucraniana de 2014 e as consequentes sanções que se seguiram contra a Rússia. Esta estratégia ficou conhecida como a "guerra híbrida".

A propósito, até então, Kiev manteve em relação à Pridnestróvia uma posição suficientemente equilibrada, embora tenha tornando-se cúmplice de ações restritivas contra a república, como aconteceu em 2006, com a organização da bloqueio de exportações da Pridnestróvia. No entanto, logo após a "Maidan", o golpe de Estado, e um agravamento acentuado das relações russo-ucranianas, Kiev mudou a retórica contra Pridnestrovia drasticamente para pior. É compreensível - Tiraspol sempre se orgulhou de seu curso pró-russo e não irá abandoná-lo. Dados dos últimos estudos sociológicos, mostram que uma aproximação com a Rússia e as estruturas euro-asiáticas são apoiadas por quase 90% da população.

Como resultado, hoje a república está literalmente refém da Ucrânia e da Moldávia. Dificilmente haverá tentativas de forçar a Pridnestróvia a abandonar a sua opção, por razões óbvias, as forças de paz russas e o Grupo Operacional de tropas russas estacionados na Pridnestróvia. No entanto, essa guerra híbrida de "países europeus" agora já está totalmente em curso, e dirige a Moldávia e a Ucrânia em conjunto contra a Pridnestróvia.

Junto com isso, a possibilidade de a Federação Russa desbloquear a república na configuração atual de forças regionais é altamente limitada. Em outras palavras, mesmo com uma abertura completa da liderança da Rússia para a cooperação comercial e econômica, política e etc. com a Pridnestróvia, surgirá como uma pedra no meio do caminho inevitavelmente, a Ucrânia, cujo território separa a Pridnestróvia da Rússia.

A opção para resolver a situação através da via Moldova dificilmente pode ser considerada como uma alternativa viável: o mais provável, em Moscou estão plenamente conscientes de que uma união da Pridnestróvia com a Moldávia, bem como a chegada ao poder em Chisinau de sucessivas forças pró-Rússia são cenários não confiáveis. Como resultado, a Rússia, com base em considerações pragmáticas, é obrigada a preservar o status quo existente.

Enquanto isso, o bloqueio em torno da armadilha da Transnístria se fecha lentamente. Na verdade, hoje o bem-estar, estabilidade e previsibilidade da situação no país é largamente dependente das ações dos vizinhos. Qualquer tentativa da liderança da Pridnestróvia de transformar a situação para melhor através de um diálogo construtivo com Chisinau e Kiev, encontra uma parede intransponível de confronto erguida pelas duas capitais. As chances de sair da crise por decisões econômicas inovadoras também são muito baixas: nos longos anos de sanções e bloqueios da produção da Pridnestróvia, um dano significativo foi feito, e soluções inovadoras para a reformatação de todo o complexo econômico exigirá investimentos enormes, que a Pridnestróvia, ferozmente resistido a pressão de fora, simplesmente não é capaz de fazer.

Neste sentido, a situação negativa da política externa tornou-se um imperativo em 2016 na realidade da Pridnestrovia. Hoje a república depende inteiramente dela. Assim, a mudança para melhor, obviamente, para Tiraspol está diretamente relacionada com a mudança na situação no perímetro externo, e é nisso que Moscou deve focar em primeiro lugar. Uma vez que o colapso da Pridnestróvia para a Federação Russa será um pesado golpe estratégico para a sua imagem, e no Kremlin, obviamente, isso é bem compreendido. Neste sentido, é muito aconselhável desenvolver uma nova estratégia para apoiar a soberania da República Pridnestrovia, que levaria em conta as realidades atuais na Moldávia e na Ucrânia, permitindo estabilizar em etapas a situação.

A primeira parte de tal estratégia seria uma demonstração clara de Moscou do fato de que a tentativa de esmagar a Pridnestrovia não terá sucesso. Para isso, é necessário levantar a "questão da Pridnestróvia" como parte integrante da agenda da comunidade e da mídia e especializadas, e atualizar a questão entre o público russo. Seria importante oferecer uma "nova visão" da Pridnestróvia, não como uma parte legal da Moldávia, e sim como parte da esfera de interesses estratégicos da Rússia, e como necessidade inexorável deste fato, facilitar a conquista da independência da república, se não internacional, em uma primeira fase - pelo menos sua autossuficiência. É com essa compreensão da natureza da Pridnestróvia, seria possível construir um novo curso para a proteção dos interesses da Rússia e da Pridnestróvia na região, isso, inevitavelmente, daria impulso a uma serie de vários processos políticos na vizinha Moldávia e Ucrânia, em oposição às tendências anti-russas que dominam nesses países hoje.

m 20 de maio de 2016 o presidente da Pridnestróvia, Evgueniy Shevtchuk, em um tradicional pronunciamento anual ao povo da República, falou sobre a influência da política internacional na situação na Pridnestrovia.

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