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Três hipóteses para o futuro desenvolvimento do Estado russo

Perante a Rússia, descortinam-se três diferentes caminhos para o futuro: ou um protetorado da civilização ocidental, ou retorno às realizações do projeto soviético (naturalmente em um novo formato) ou a transformação em um país aberto e soberano que incorporará a missão de construir o país da “civilização

russa”.

Após quase três décadas do fim do projeto soviético, a Rússia precisa trabalhar e realizar seu próprio projeto “russo” de desenvolvimento da civilização da Rússia.

Este projeto deve ser alternativo ao projeto ocidental (anglo-saxônico e ocidental europeu), ao japonês, chinês, indiano, do sudeste asiático e do oriente médio árabe islâmico.

A alternativa do projeto está não em diferenças concretas, mas em outro sentido de civilização. Em outras funções de formas do Estado.

A chance para a Rússia está em que o projeto ocidental entrou em crise, e as diferenças entre seus grupos integrantes e influências nele se tornaram grades demais, talvez inconciliáveis, assim como, contraposição Ocidente e restante do mundo. Nessa fissura, o “jogo” pode, e deve ser jogado. Exatamente a manobra entre as partes de um projeto “ocidental” não único já fez da Rússia uma grande potência (URSS).

Hoje no mundo, expressam-se e confrontam-se, promovendo suas ideias as civilizações europeia, indiana, chinesa, norte americana e japonesa.

A Rússia como civilização local (russa) encontra-se em um estado latente, seu valor, auto identificação e posicionamento não declarados. Há mais de 25 anos localiza-se em um estado conceitual indeterminação. A sociedade russa, dentro de si não tem conseguido (até agora) entrar em acordo sobre qual ideologia tomar na esfera da sociedade civil em geral.

A ordem mundial está passando por uma transformação civilizacional: a humanidade está em processo de transição para uma fundamentalmente nova fase do seu desenvolvimento – e a Rússia como um país soberano da civilização russa deve e pode se revelar um exemplo conceitual de evolução para a manifestação de um novo tipo de ordem mundial, em que base seja a auto suficiência para a vida e não para o lucro (o mercado) e a formação da "comunidade humana» (homo comunal), não um "egoísta livre» (homo economicus).

A humanidade faz a escolha, o que é mais importante: “renda per capita” ou “condição de espirito do povo”.

Combatem a Rússia com manipulações habilmente conduzidas e apoiadas por corporações transnacionais: “o crescimento consumo material é o caminho para a prosperidade da humanidade”.

A história ensina (mas quase ninguém estuda). Há mais de um século a humanidade se concentra no “crescimento do consumo material”, controladamente é abalada e será abalada com crises sociais e econômicas para atender a interesses de pequenos grupos de pessoas materialmente poderosas, para isso, são criados por eles generosos sistemas de financiamento:

- Instituições que desenvolvem programas de manipulação de consciência comportamento;

- Os meios de comunicação, promovendo o "valor" desses programas;

- A influência dos agentes (corruptos), legalizando "interesses exclusivos das empresas."

Isso é um fato. Sempre que a classe média, a periodicamente atinge um nível confortável de bem-estar e sempre "vindo de lugar nenhum" há um colapso que a arrasta para o poço todos que imagina-se financeiramente independentes. Com o restante da população é ainda pior.

Para a Rússia desenha-se três cursos para o futuro: ou o caminho para se tornar um protetorado da civilização ocidental, ou voltar às realizações do projeto (comunista) soviético, em um novo nível, ou se transformar em uma nação independente da Civilização russa.

Primeira hipótese: “Integração da Rússia no corporativismo global”. Este seria o pior caminho para o país, tornar-se um protetorado ocidental orientado para o crescimento do consumo material do homem. A integração no corporativismo global não exige qualquer mudança fundamental na vida do país. Em economia isso é seguir o consenso de Washington.

Na política interna é o gerenciamento situacional do país, que são os interesses prioritários da classe social dos burocratas, funcionários em todos os níveis, deputados e policiais, juízes e promotores, chefes de empresas estatais e privadas.

É tempo de perceber que se o governo der vóz a aqueles que consideram que o país deve fiar ao redor do FMI, Banco Mundial e OMC, será necessário aceitar o fato de que "a política é a expressão concentrada da economia." E assim, hoje, "temos o que temos", e se John lá no Alabama perder seu emprego, em seguida, na Rússia cairão estupidamente as ações, a taxa de câmbio e os juros subirão.

O projeto global “ocidental” em tudo satisfaz a proto elite russa, porque seu dinheiro, bens, e filhos estão lá, no ocidente. No entanto, esta é uma estrada para lugar nenhum, pois hoje ela tem gerado um real e inegavelmente os problemas da Rússia.

Segunda hipótese: o retorno da Rússia – em um novo nível – às realizações do projeto (comunista) soviético. Hoje, ninguém mais diz que a União Soviética não poderia construir um Estado próspero, permitindo negócios individuais pequenos e médios e alcançar o tempo da internet, nano tecnologia, biotecnologia.

O projeto soviético chegou até uma bifurcação há 30 anos trás, mas ao invés de ir a um novo nível, algo semelhante ao “milagre” econômico chinês, para o qual a União Soviética estava incomparavelmente mais bem preparada do que a China, mas o pais mergulhou no caos, se viu afundado no pântano da perestroika e da doutrina de choque. Uma volta ao projeto soviético, tal como ele se desenhava nos seus anos mais dourados, quando o país socialista tinha virtualmente o controle de metade do planeta terra, é impossível. Resta orgulhar-se de que ele influenciou positivamente todas as transformações da civilização no século XX: destruição do fascismo, descolonização, surgimento do estado de bem-estar social no Ocidente, fortalecimento das civilizações asiáticas. Hoje, o governo, ao planejar o desenvolvimento do país – e faze-lo, será necessário, tem a obrigação de levar em conta suas experiências positivas:

- Projeto soviético gerou um tipo de planta industrial, em que a produção estava intimamente interligada com a manutenção das condições mais importantes da vida dos trabalhadores, suas famílias e da cidade como um todo. Esta relação, que vai desde a tradição da vida da comunidade, tão firmemente estabelecida na consciência pública que a participação de entidades empresariais na educação civil e nos meios de subsistência dos trabalhadores parecia natural e necessário. Além disso, a cooperação com a "vida" provou ser uma fonte significativa de eficiência econômica, e o homem, como membro da equipe de produção,

"Fundamento - juntamente com a família - da sociedade soviética", ganhou auto estima e confiança.

O projeto soviético mostrou que não é um tipo de economia em que os valores e os esforços não são trocados, e sim, somam-se, - de modo que todos os participantes criam e usam juntos.

Os liberais na economia fazem-nos esquecer que a economia - não é apenas uma máquina em um estado de equilíbrio, que funciona com base em compra e venda de uma troca equivalente. Claro, especialização e divisão - é uma fonte de eficiência. Mas a dialética diz que não é uma fonte de eficiência menor a ligação e cooperação. Qual a combinação é mais favorável, depende das condições específicas.

Mas foi a adição de recursos sem suas compra-vendas que permitiu que a economia planificada soviética muito rapidamente se recuperasse da enorme devastação de 1941-1945. A experiência da economia soviética revelou que, durante a formação da fundação da viabilidade do país, a ligação e cooperação é uma forma mais eficaz do que a concorrência e intercâmbio.

Parece que hoje esta informação está sendo seriamente trabalhada, especialmente nas áreas de política monetária e industrial (que deve ser a base para a formação de empresas verticalmente integradas, industrial de alta tecnologia e empresas estatais de demanda crítica).

- A maioria das pessoas querem voltar dos recursos do país para a propriedade pública. Ainda hoje, depois de uma lavagem cerebral profunda, na consciência de massa, ainda não se realizou o retorno da propriedade privada dos meios básicos de produção. A propriedade privada dos meios de produção não tem tradição na Rússia.

É claro que não há retorno ao socialismo soviético tal como era, mas sem a socialização dos meios fundamentais de produção - os recursos minerais, matérias-primas, florestas, água e terras aráveis, a Rússia vai continuar a ser um país com altíssimo peculato, especulação e estratificação social, impossível no âmbito do projeto de Soviético.

É tempo de perceber que um número significativo de bases sociais e econômicas do projeto soviético tornou-se a base para todas as civilizações locais. Mesmo o projeto ocidental é baseado no socialismo corporativo.

Programando o futuro, é importante lembrar-se das principais tradições da sociedade russa, diferentes da ocidental:

- O povo russo - uma comunidade, não um "indivíduo livre";

- Agricultura da Rússia – para a vida (auto-suficiente), e não para o lucro (a economia de mercado);

- Sistema de Estado russo - ideocrático paternalista em vez da democracia liberal do tipo ocidental;

- Na Rússia o sistema de legitimação tem sido sempre através da ideia geral de justiça, e não através de "vozes de mercado";

- Metáfora da sociedade russa - a família, o coletivo de trabalho, e não o mercado, a competição entre indivíduos atômicos.

A chave aqui é – gestão econômica para a vida e a formação de "comunidade humana".

Trata-se de atividades destinadas principalmente a satisfazer as necessidades internas da vida russa, enquanto a exportação de recursos naturais - prioritariamente - é realizada, a fim de garantir o plano de importações extremamente necessárias e a reposição estimado das reservas de ouro.

Tirar o melhor da experiência do projeto soviético é um dever patriótico da liderança do país.

O terceiro "mapa do caminho", "Transformação da Rússia em um país soberano da civilização russa auto-sustentável e aberto."

Esse é o plano corresponde à consciência nacional russa, com base no entendimento de que "a Rússia tem tudo" e seu povo sempre sonhou em ver sua pátria poderosa, auto-suficiente e independente com sua com a sua espiritualidade e cultura.

Um governo sábio, posicionado civilizacionalmente é sempre baseado na consciência nacional e dos seus próprios recursos, estabelecendo relações pragmáticas com uma ou outra civilização local.

Este projeto deve ser alternativo ao projeto ocidental (anglo-saxônico e ocidental europeu), ao japonês, chinês, indiano, do sudeste asiático e do oriente médio árabe islâmico.

A alternativa do projeto está não em diferenças concretas, mas em outro sentido de civilização. Em outras funções de formas do Estado.

A chance para a Rússia está em que o projeto ocidental entrou em crise, e as diferenças entre seus grupos integrantes e influências nele se tornaram grades demais, talvez inconciliáveis, assim como, contraposição Ocidente e restante do mundo. Nessa fissura, o “jogo” pode, e deve ser jogado. Exatamente a manobra entre as partes de um projeto “ocidental” não único já fez da Rússia uma grande potência (URSS).

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