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A Grande Eurásia acena

Por Pepe Escobar.

O que quer que a China faça não alterará a obsessão do Estado Profundo norte-americano por “uma agressão contra nossos interesses vitais”, como afirma a Estratégia Nacional de Defesa. A narrativa dominante do Pentágono nos próximos anos será sobre a China “pretendendo impor, no curto prazo, sua hegemonia na região do Indo-Pacífico, e pegar os EUA de surpresa para alcançar a futura preeminência global”. Isso se mistura à crença de que a Rússia quer “esmagar a Otan” e “sabotar o processo democrático na Crimeia e no leste da Ucrânia”.

Durante minhas viagens recentes pela parte norte do Corredor Econômico China-Paquistão (CECP), vi mais uma vez como a China está modernizando rodovias, construindo barragens, ferrovias e pontes que são úteis não apenas para sua própria expansão econômica, mas também para o desenvolvimento de seus vizinhos. Compare-o com as guerras dos EUA – como no Iraque e na Líbia – onde as barragens, ferrovias e pontes são destruídas. A diplomacia russa está vencendo a Nova Guerra Fria – como diagnosticado pelo professor Stephen Cohen em seu último livro, War with Russia: From Putin and Ukraine to Trump e Russiagate. Moscou mistura graves advertências com diversas estratégias, como ressuscitar o gasoduto South Stream para abastecer a Europa como uma extensão do Turk Stream, depois que o governo Trump também se opôs furiosamente ao gasoduto Nord Stream 2 com sanções à Rússia. Enquanto isso, Moscou eleva as exportações de energia para a China. O avanço da Iniciativa Belt and Road está ligado às exportações russas de segurança e energia, incluindo a Rota do Mar do Norte, como um futuro corredor de transporte alternativo para a Ásia Central. A Rússia surge, então, como a principal garantia de segurança para o comércio e a integração econômica da Eurásia. No mês passado, em Moscou, discuti a Grande Eurásia – agora estabelecida como o conceito dominante da política externa russa – com os principais analistas russos. Eles me disseram que Putin está a bordo e se referiu à Eurásia recentemente como “não um tabuleiro de xadrez ou um playground geopolítico, mas nosso lar pacífico e próspero”. Não é preciso dizer que os think tanks dos EUA descartam a ideia como “natimorta”. Eles ignoram o Prof. Sergey Karaganov, que já em meados de 2017 argumentava que a Grande Eurásia poderia servir de plataforma para “um diálogo trilateral sobre problemas globais e estabilidade estratégica internacional entre a Rússia, os Estados Unidos e a China”. Por mais que Washington possa recusar, “o centro de gravidade do comércio global está agora mudando dos altos mares para o vasto interior continental da Eurásia”.

* Pepe Escobar é jornalista independente, especialista em análises geopolíticas

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