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Desaceleração da inflação faz Banco Central da Rússia rever taxa de juros

Pela primeira vez, desde junho de 2018, a taxa de inflação anual da Federação Russa caiu abaixo dos 3%. Segundo o Serviço Federal de Estatística Estadual (Rosstat), nos últimos 12 meses, os preços ao consumidor no país aumentaram apenas 2,4% (patamar atingido em janeiro de 2020) expondo uma dinâmica de notável valorização da moeda russa (Rublo) ao longo do último ano.


Segundo especialistas, o fortalecimento da unidade monetária russa em 2019 teve um importante papel na desaceleração da inflação, levando a uma redução no custo de bens importados para as empresas comerciais russas. Como resultado, o crescimento dos preços dos produtos estrangeiros para cidadãos comuns está desacelerando, embora atualmente exista uma certa pressão sobre o rublo exercida pelo temor do mercado em torno do evento mundial do coronavírus (Covid-19) e pelo baixo preço do barril de petróleo no mercado mundial.


Sob aspectos analíticos, a inflação recorde baixa na Rússia é uma vantagem clara para a economia do país, devido ao fato de que um aumento de preços tão contido poderá fornecer um ambiente muito mais previsível para fazer negócios, e também permite que as famílias planejem melhor suas despesas. Vale ressaltar que entre os principais fatores na desaceleração da inflação, segundo especialistas econômicos, está o enfraquecimento da demanda dos consumidores na Rússia. Conforme estimativas da Rosstat, em 2019, o crescimento da renda real disponível da população acelerou de 0,1% para 0,8%, demonstrando que, nas condições atuais, os russos até agora preferem economizar dinheiro em vez de gastar, gerando, como resultado, a problematização do aumento dos preços de venda pelos varejistas.



Histórico da taxa de juros da Rússia


Em decorrência deste cenário, o Banco Central da Rússia cortou sua taxa de referência sobre juros em 25 bps (basis points*) para 6,00% durante sua reunião de fevereiro (2020) e sinalizou que mais cortes nas taxas poderão ser efetivados em suas próximas reuniões, dizendo que as expectativas de inflação permanecem estáveis no geral, enquanto os riscos de uma substancial ameaça à desaceleração econômica global persistem. Ainda assim, os formuladores de políticas observaram que a recente flexibilização da política monetária pode ter um efeito ascendente mais forte sobre a inflação do que se pensava anteriormente, enquanto o surto de coronavírus será um fator de incerteza adicional nos próximos trimestres. Note-se que, em 2019, o Banco Central russo reduziu sua taxa-chave cinco vezes e reduziu-a de 7,75% para 6,25% ao ano, tornando seu valor o menor desde março de 2014. Especialistas acreditam que as ações do Banco Central serão capazes de fortalecer a demanda dos consumidores na Rússia. Em condições de inflação baixa, o regulador pode reduzir ainda mais sua taxa-chave. No longo prazo, a política das autoridades monetárias deve levar a empréstimos mais baratos, um aumento na demanda interna e no investimento. Assim, o Banco Central da Rússia será capaz de estimular a atividade empresarial e o crescimento econômico.


Segundo analistas, com essa política regulatória, o mercado financeiro russo espera uma redução mais ativa das taxas de hipotecas. De acordo com os últimos dados do Banco Central, em 2019, a taxa média de hipotecas na Rússia caiu para 9% ao ano. O valor tornou-se o menor em todo o tempo de observação desse índice e, de acordo com os resultados de 2020, a taxa média do financiamento imobiliário poderá cair para os patamares entre 7-8%. Para comparação, há apenas um ano esse número estava próximo de 10%.

Outro ponto observado por esses analistas é que, com a redução da taxa de juros, poderá ser afetado principalmente o mercado de títulos do governo russo. A redução da taxa do Banco Central ao longo do tempo reduz o rendimento dos títulos federais de empréstimos OFZ (do russo: Облигации Федерального Займа – Títulos Federais de Empréstimo), de modo que os investidores estão tentando pré-comprar títulos a um preço de pechincha. Ao mesmo tempo, a corrida do fluxo de dinheiro para os OFZs russos pode apoiar a moeda nacional, pois, do ponto de vista dos investimentos, os OFZs permanecem mais atraentes do que os títulos governamentais dos países desenvolvidos. Além disso, os juros dos ativos russos são apoiados por fatores macroeconômicos: redução da inflação e da dívida pública, altas reservas internacionais e orçamento excedente. Tudo isso apoia a demanda por títulos e moedas russos.


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Nota:

* Os pontos-base (bps) referem-se a uma unidade comum de medida para taxas de juros e outros percentuais em finanças. Um ponto-base é igual a 1/100 de 1%, ou 0,01%, e é usado para denotar a variação percentual em um instrumento financeiro. A relação entre mudanças percentuais e pontos-base pode ser resumida da seguinte forma: variação de 1% = 100 pontos-base e 0,01% = 1 ponto base.


O colunista Sputnik Commercial & Consulting Edson José Araújo é economista, pós-graduado em Economia pela FEA-USP (MBA) e Docência no Ensino Superior (SENAC). Articulista no Centro de Estratégia, Inteligência e Relações Internacionais (CEIRI) e pós-graduando em Política e Relações Internacionais pela Fundação Escola de Sociologia e Política de São Paulo (FESPSP).



Artigo também publicado em: https://ceiri.news/desaceleracao-da-inflacao-faz-banco-central-da-russia-rever-taxa-de-juros/?fbclid=IwAR1vAn09bPPk6gaGqe_J9cEfB5vSwQNt3xz_dgnJ9o_ZOPk3AiOnxYGwlBI

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